Banco aponta crédito fraco, alta da inadimplência e riscos para o peso como obstáculos à recuperação das ações.
O Bradesco BBI mantém recomendação de exposição abaixo da média do mercado para as ações da Argentina, embora os preços tenham caído após a recente correção. Segundo o banco, ainda faltam sinais de que a estabilização econômica esteja se transformando em uma recuperação sustentada do crédito e do consumo.
Na análise apresentada em reportagem publicada em 27 de setembro de 2026, o banco também aponta o aumento da inadimplência e riscos cambiais que considera subestimados pelos investidores. A avaliação atinge especialmente os bancos argentinos, mais expostos à piora do crédito das famílias.
Crédito e inadimplência
O crédito voltou a registrar queda real em julho, depois de ter crescido 3% na comparação mensal em junho, segundo o Bradesco BBI. A confiança do consumidor permanecia perto de 41 pontos. Para os analistas, a melhora gradual dos salários reais desde março ainda não havia produzido uma expansão mais forte do consumo.
| Indicador | Junho | Julho |
|---|---|---|
| Inadimplência das famílias | 12,8% | 12,9% |
| Compra de dólares por pessoas físicas | US$ 2,1 bilhões | US$ 3,1 bilhões |
A inadimplência das famílias em julho era mais que o dobro da registrada um ano antes, de acordo com o banco. No sistema financeiro como um todo, a taxa de empréstimos inadimplentes chegou a 7,7%. O BBI também observa que a cobertura de provisões dos bancos diminuiu, reduzindo sua proteção caso a qualidade do crédito piore.
Pressão sobre o peso
As compras de dólares por pessoas físicas somaram US$ 16,1 bilhões nos primeiros sete meses do ano, segundo o relatório. O BBI avalia que o turismo ao exterior ligado à Copa do Mundo provavelmente elevou o resultado de julho, mas vê na demanda contínua por dólares um motivo de cautela.
Dados citados pelo Bradesco BBI na análise sobre a Argentina
- 12,9%Inadimplência das famíliasEm julho
- 7,7%Empréstimos inadimplentesNo sistema financeiro
- US$ 3,1 bilhõesDólares compradosPor pessoas físicas em julho
- US$ 16,1 bilhõesCompras acumuladasNos primeiros sete meses do ano
O banco considera o peso historicamente caro e estima um potencial de desvalorização de cerca de 31% caso a moeda volte aos padrões históricos. A previsão de mais exportações agrícolas no quarto trimestre e o aumento da produção de petróleo em Vaca Muerta podem favorecer a entrada de dólares, enquanto a desaceleração no acúmulo de reservas gera dúvidas sobre a trajetória cambial.
Ações acompanhadas pelo banco
O índice MSCI Argentina negocia a 8,8 vezes o lucro projetado, abaixo da média histórica de 10,4 vezes, segundo o BBI. Ainda assim, os analistas não veem, por enquanto, condições para uma valorização ampla das ações. O relatório destaca cinco empresas pela combinação de preço, qualidade do balanço e exposição à economia argentina no longo prazo:
- Banco Macro, entre as preferidas ligadas ao mercado doméstico;
- IRSA, também entre as preferidas ligadas ao mercado doméstico;
- Vista, como exposição a Vaca Muerta;
- Pampa, como exposição a Vaca Muerta;
- TGS, como exposição a Vaca Muerta.
Com informações de infomoney.com.br.

