Dados de 2024 e do Censo de 2022 expõem diferenças de renda entre municípios e carências habitacionais no estado.
Minas Gerais tinha 4,4 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar em 2024, segundo dados do IBGE citados pelo g1. Desse total, 454 mil viviam a forma grave do problema, quando a fome está presente no cotidiano.
O estado também registrava déficit de 506.419 moradias naquele ano, equivalente a 6,3% dos domicílios. Os indicadores apontam desafios ligados ao acesso à alimentação, à habitação e à redução das disparidades entre as cidades mineiras.
Fome ainda atinge milhões
O número de mineiros com algum nível de insegurança alimentar caiu cerca de 10% na comparação com 2023, mas permaneceu elevado em 2024. A condição inclui desde a preocupação com a falta de comida até a restrição alimentar mais severa.
Em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, famílias da ocupação Guarani Kaiowá relatam dificuldades para conciliar os gastos com comida e a manutenção das casas. Moradores ouvidos pela reportagem disseram receber ajuda com cesta básica e buscar alimentos distribuídos por uma igreja quando possível.
Aluguel pesa no déficit habitacional
O déficit habitacional reúne moradias em condições precárias, famílias que dividem a mesma residência e situações em que o aluguel consome uma parcela alta da renda. Em Minas, o comprometimento excessivo da renda com aluguel respondeu por 386.025 registros, a maior parte do total.
A proporção mineira de domicílios incluídos no déficit era inferior à média nacional, de 7,4%. Ainda assim, o estado ultrapassava meio milhão de moradias nessa condição em 2024.
Renda muda de uma cidade para outra
Os dados do Censo de 2022 mostram forte distância entre os rendimentos por pessoa nos municípios. Nova Lima, na Grande Belo Horizonte, teve renda domiciliar mensal per capita de R$ 4.299,91, enquanto Monte Formoso, no Vale do Jequitinhonha, registrou R$ 590,22.
Indicadores de alimentação, moradia e renda no estado.
- 454 milInsegurança graveMineiros em 2024
- 506.419 moradiasDéficit habitacionalDados de 2024
- R$ 4.299,91Renda em Nova LimaPor pessoa, Censo de 2022
- R$ 590,22Renda em Monte FormosoPor pessoa, Censo de 2022

A renda domiciliar per capita considera a soma dos rendimentos dos moradores de uma casa dividida pelo número de pessoas que vivem nela. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a média foi de R$ 2.112,11.
Segundo a professora Danielle Fernandes, do Departamento de Demografia da UFMG, a melhora nos indicadores gerais não significa que todas as regiões tenham avançado no mesmo ritmo. Dados apresentados pelo geógrafo Rodrigo Carvalho, do Instituto de Geociências da UFMG, apontam que 12% da população metropolitana vivia na pobreza e 2% na extrema pobreza.
Situação nas favelas de Belo Horizonte
Em Belo Horizonte, mais de 13% dos moradores — cerca de 300 mil pessoas — viviam em favelas, conforme os dados do Censo de 2022 mencionados pelo pesquisador. Ele defende atenção maior dessas áreas nas políticas públicas, sobretudo em saneamento e serviços essenciais.
Minas teve IDHM de 0,809, ligeiramente acima do índice nacional, de 0,805. O indicador reúne informações sobre renda, educação e expectativa de vida, mas os números municipais mostram que esse resultado não se distribui de forma uniforme pelo estado.
Com informações de g1.
Foto de capa: Spoladore/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

