Atualizado em 20 de setembro de 2026.
Planejar a compra da casa própria exige mais do que encontrar um imóvel e comparar o valor da prestação. Entrada, análise de crédito, avaliação, tributos, registro, documentação e despesas mensais formam um único projeto. Como vários desses custos dependem do município, do estado, do banco e da operação, um percentual genérico pode produzir uma reserva insuficiente.
O caminho mais seguro é separar cada etapa, pedir os valores aplicáveis ao caso concreto e manter uma margem para imprevistos. Este guia mostra como organizar essa análise sem promessas de aprovação, valorização ou economia garantida.
Comece pelo orçamento total, não pelo anúncio
O preço anunciado não é a única referência. Antes de visitar imóveis, defina quanto pode ser destinado à entrada, quanto precisa permanecer como reserva e qual despesa mensal cabe no orçamento familiar. Além da prestação, considere condomínio, IPTU, seguros previstos no contrato, tarifas aplicáveis, água, energia, manutenção e eventuais deslocamentos.
Em operações financiadas, a instituição analisa comprador, vendedor e imóvel. Segundo a CAIXA, o valor considerado para o financiamento é o menor entre o preço negociado e o valor apurado na avaliação. Se a avaliação ficar abaixo do preço combinado, a diferença pode aumentar os recursos próprios necessários. Por isso, não comprometa toda a reserva antes dessa etapa.
Faça também um teste de resistência: verifique se o orçamento continuaria equilibrado com uma despesa inesperada, mudança temporária de renda ou aumento de encargos permitidos pelo contrato. A parcela que o banco aceita não é necessariamente a parcela mais confortável para a família.
Separe entrada, financiamento e reserva
A entrada é a parte do preço que não será coberta pelo financiamento. Ela pode vir de recursos próprios e, quando as regras forem atendidas, do FGTS. O valor financiável varia conforme a linha de crédito, a capacidade de pagamento, a avaliação do imóvel e as políticas da instituição.
A reserva não deve ser confundida com a entrada. Ela serve para despesas da operação e para custos posteriores, como mudança, pequenos reparos, móveis essenciais e manutenção. Utilizar todo o dinheiro disponível na entrada pode deixar o comprador sem condições de concluir o registro ou enfrentar os primeiros meses no imóvel.
Quais custos precisam ser confirmados
Não existe uma porcentagem nacional única para o fechamento da compra. Monte uma planilha com valores obtidos diretamente no município, no cartório e na instituição financeira. Inclua, quando aplicável:
- entrada e diferença entre o preço negociado e o valor aceito na avaliação;
- tarifa de avaliação do imóvel e outras tarifas informadas previamente pelo banco;
- ITBI, cuja alíquota, base de cálculo, isenções e procedimento são definidos localmente;
- emolumentos de registro, regulados no respectivo estado;
- escritura pública, quando exigida para a modalidade escolhida;
- certidões e verificações documentais adequadas à operação;
- seguros e encargos previstos no contrato;
- rateios de condomínio e IPTU, mudança, reparos e adequações.
Em determinados financiamentos, o próprio instrumento contratual tem força de escritura pública. Isso não elimina automaticamente o registro nem autoriza presumir que todos os custos cartorários estão incluídos. Peça ao banco e ao cartório uma discriminação escrita antes da assinatura.
A Lei nº 6.015/1973 prevê redução de 50% nos emolumentos dos atos de registro relacionados à primeira aquisição imobiliária para fins residenciais financiada pelo Sistema Financeiro da Habitação. A regra é específica e não significa desconto sobre ITBI, avaliação, seguros ou toda a operação. Confirme com o cartório se o negócio atende aos requisitos do artigo 290 da lei.
Documentação e diligência antes do sinal
A análise documental reduz riscos, mas precisa considerar as características do imóvel e das partes. Solicite a matrícula atualizada de inteiro teor e verifique a titularidade, os ônus e as restrições. Confira também a situação do IPTU, débitos condominiais, regularidade da construção, licenças e documentos exigidos pelo banco ou pelo profissional responsável.
Leia a proposta, o compromisso de compra e venda e as condições para devolução ou perda do sinal. O contrato deve indicar preço, forma de pagamento, prazos, responsabilidades, bens que permanecem no imóvel e consequências do descumprimento. Quando houver dúvida jurídica relevante, procure orientação profissional independente antes de assinar.
Em apartamento, examine a convenção, o regulamento, as atas recentes e a previsão de obras extraordinárias. Em casa, verifique limites do terreno, regularidade das ampliações e restrições urbanísticas. Morar em uma casa não representa liberdade absoluta: legislação municipal, regras de loteamento e direitos de vizinhança continuam aplicáveis.
Como comparar propostas de financiamento
Compare propostas usando o Custo Efetivo Total (CET), e não apenas a taxa de juros. O CET reúne encargos e despesas da operação e deve ser informado ao consumidor. Prazo, sistema de amortização, indexador, seguros, possibilidade de amortização antecipada e condições de portabilidade também alteram o custo e o risco.
A jornada informada pela CAIXA inclui simulação, análise de crédito, avaliação do imóvel, entrega de documentos e contratação. O tempo necessário não é fixo: depende da documentação, da avaliação, das partes e da instituição. Evite assumir uma data de mudança antes da confirmação das etapas.
Peça a planilha do CET e simule cenários com prazos diferentes. Um prazo maior pode reduzir a prestação inicial e elevar o custo total. Antes de escolher, use as orientações oficiais sobre uso consciente do crédito e compare ofertas equivalentes.
Quando o FGTS pode ser utilizado
O FGTS pode ser usado em modalidades habitacionais autorizadas, inclusive aquisição, amortização, liquidação ou pagamento de parte das prestações, desde que comprador, imóvel e operação cumpram as regras. O uso não é automático nem equivale sempre a utilizar todo o saldo disponível.
Entre as condições gerais divulgadas no portal oficial do FGTS estão: somar pelo menos três anos de trabalho sob o regime do FGTS, consecutivos ou não; não possuir financiamento ativo no Sistema Financeiro da Habitação; e não possuir outro imóvel residencial nas localidades que geram impedimento conforme as regras de moradia ou trabalho. O imóvel deve ser residencial urbano, destinado à moradia do trabalhador e estar regular para a operação.
Existem ainda critérios sobre localização, avaliação, titularidade, intervalos de uso e modalidade. Limites financeiros e procedimentos podem mudar. Verifique o manual e a simulação vigentes na data da compra, sem se apoiar em um valor antigo reproduzido em anúncios ou artigos. A instituição financeira ou o agente operador analisará a documentação antes de autorizar o recurso.
Imóvel novo, usado ou em construção
Cada opção concentra riscos diferentes. Em imóvel usado, reserve atenção ao estado de conservação, instalações, reformas não averbadas e manutenção futura. Em unidade nova ou em construção, examine memorial descritivo, registro da incorporação, índice de correção, prazo, tolerâncias, condições de entrega e histórico da incorporadora.
Preço aparentemente menor ou expectativa de valorização não garantem uma boa compra. Localização, liquidez, qualidade construtiva, custos recorrentes e adequação à rotina devem ser avaliados em conjunto. Uma decisão para moradia não precisa depender de previsões de mercado.
Plano prático em sete etapas
- Calcule renda, despesas, dívidas e uma prestação sustentável.
- Separe entrada, custos da operação e reserva de emergência.
- Faça simulações em instituições diferentes e compare o CET.
- Confirme previamente ITBI, cartório, avaliação, seguros e demais despesas locais.
- Verifique a documentação do comprador, vendedor e imóvel antes de pagar sinal relevante.
- Se usar FGTS, valide todas as condições atuais com o agente financeiro.
- Leia o contrato final e só programe mudança depois da contratação e do registro aplicável.
Perguntas frequentes
Quanto devo reservar para os custos de fechamento?
Não há percentual único confiável para todo o Brasil. Peça os valores de ITBI ao município, emolumentos ao cartório e tarifas à instituição financeira. Some certidões, seguros, mudança e despesas específicas do imóvel.
Posso usar o FGTS na entrada?
É possível em operações permitidas, desde que o trabalhador, o imóvel e o financiamento atendam às regras vigentes. A aprovação depende da análise do agente financeiro e dos documentos.
Todo primeiro imóvel tem 50% de desconto no cartório?
Não. A redução prevista na Lei de Registros Públicos alcança atos de registro da primeira aquisição residencial financiada pelo SFH. O cartório deve confirmar o enquadramento; a regra não reduz automaticamente outros tributos e despesas.
Quanto tempo demora a aprovação?
Não existe prazo universal. Análise de crédito, avaliação, pendências documentais e registro podem variar. Solicite uma estimativa à instituição e mantenha folga no cronograma.
Nota editorial: este conteúdo é informativo e não substitui análise jurídica, financeira ou contratual individual. Regras, tarifas e limites podem mudar; confirme as condições oficiais aplicáveis na data da operação.

