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HC da USP apura postagem de residente com dados de paciente em rede social

HC da USP de Ribeirão Preto apura postagem de residente com dados de prontuário e ironia sobre paciente.

Tiago da Silva CândidoPorTiago da Silva Cândido 2 min de leitura
Universidade de São Paulo
Foto: Hector.carvalho/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
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Hospital de Ribeirão Preto classificou a publicação como preconceituosa e informou que adotará providências.

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP informou que apura uma postagem feita por um médico residente na rede social X com uma imagem de prontuário de um paciente atendido na instituição. A publicação, de 21 de setembro, trazia informações de peso, altura e índice de massa corporal (IMC), usadas em um comentário irônico sobre a condição do paciente.

Segundo o hospital, a atitude foi preconceituosa, inadequada e contrária à conduta profissional esperada pela instituição. O perfil do médico foi excluído após a repercussão do caso; antes disso, a postagem chegou a 130 mil visualizações, de acordo com as reportagens.

Hospital diz que tomará providências

Em nota, o HCFMRP-USP afirmou que não houve divulgação da identidade do paciente, mas avaliou que a exposição do conteúdo do prontuário não condiz com seus parâmetros profissionais. A instituição declarou que está adotando medidas para evitar a repetição da conduta.

Questionado sobre a permanência do residente no hospital, o HCFMRP-USP não respondeu. As reportagens também não localizaram a defesa do médico, e o espaço permanece aberto para manifestação.

Dados de saúde exigem proteção

O advogado especializado em Direito Digital Marcelo Tesk afirmou que peso, altura e IMC são dados pessoais sensíveis, protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Segundo ele, o risco aumenta se for possível reconhecer o paciente, mesmo sem nome ou outros identificadores expostos de forma direta.

Tesk explicou que a anonimização só existe quando não há possibilidade de identificação nem pelo cruzamento de dados. Para o advogado, um prontuário só pode ser compartilhado com o próprio paciente ou mediante autorização prévia e expressa.

Se houver reconhecimento de uso inadequado de dados, o caso pode ter desdobramentos em diferentes áreas:

  • administrativa, envolvendo a instituição;
  • ética, perante o Conselho Regional de Medicina;
  • penal, em eventual apuração de quebra de sigilo profissional;
  • civil, com possibilidade de pedido de indenização por danos morais.

Conselhos médicos não comentaram o caso

O Conselho Federal de Medicina informou que não se manifesta sobre situações concretas por atuar como instância recursal. Segundo o órgão, um posicionamento antes de eventual julgamento no Conselho Regional de Medicina poderia prejudicar o processo.

O CRM foi procurado e ainda não havia respondido. Marcelo Tesk afirmou que também seria necessário examinar o contexto da postagem, incluindo o tom empregado e a finalidade alegada para a divulgação.

Foto de capa: Hector.carvalho/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

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