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Cidades

Prefeitura de SP deixou de cobrar R$ 426 mil em multas de Milton Leite

Prefeitura de São Paulo deixou de aplicar correção monetária em multas ambientais de Milton Leite, segundo reportagem do Metrópoles.

Tiago da Silva CândidoPorTiago da Silva Cândido 2 min de leitura
Prefeitura de São Paulo
Foto: joao batista Shimoto/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
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Segundo o Metrópoles, guias emitidas em 2022 não aplicaram a correção monetária prevista em acordo ambiental.

A Prefeitura de São Paulo deixou de cobrar cerca de R$ 426 mil ao emitir, em 2022, as guias para quitar duas multas ambientais aplicadas ao ex-vereador Milton Leite, segundo reportagem do Metrópoles publicada na quinta-feira (25). Os valores deveriam incluir correção monetária, conforme o acordo firmado e despachos da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), mas foram calculados apenas sobre o valor original.

As autuações foram aplicadas em 2010 por intervenções em área protegida da APA Capivari-Monos, no extremo sul da capital paulista. Milton Leite e sua mulher eram sócios da Lésimo Sondagens Projetos e Construções, proprietária do terreno, e as multas foram direcionadas nominalmente ao então vereador.

Acordo previa compensação ambiental

As duas multas somavam R$ 3,9 milhões na época e equivalem a R$ 9,7 milhões em valores atuais, de acordo com a reportagem. Sem conseguir anular as cobranças nas esferas administrativa e judicial, a empresa firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a prefeitura em dezembro de 2019.

InfográficoDados do acordo ambiental

Valores e obrigações citados nos documentos do TAC.

4.504
mudas nativasplantio previsto no TAC
  • R$ 3,9 milhõesMultas em 2010soma das duas autuações
  • R$ 9,7 milhõesValor atualvalores atuais citados pela reportagem
  • 4.504Mudas nativasplantio previsto no TAC
  • 24 mesesManutençãocultivo das mudas
  • R$ 441 milCusto estimadomedidas de compensação
Fonte: Secretaria Municipal do Verde e do Meio AmbienteBlog Viiish
O TAC previa o plantio de 4.504 mudas nativas no imóvel.
O TAC previa o plantio de 4.504 mudas nativas no imóvel. — Imagem ilustrativa

Pelo acordo, a Lésimo deveria plantar 4.504 mudas nativas, manter o cultivo por 24 meses e contratar um profissional habilitado para acompanhar o trabalho. O custo dessas medidas foi estimado em R$ 441 mil, segundo os documentos citados pelo Metrópoles.

Em troca do cumprimento do TAC, a empresa recebeu desconto de 90% nas multas. O termo e os despachos posteriores previam que os 10% restantes seriam pagos com atualização monetária.

Guias não tiveram atualização

Um relatório técnico da SVMA concluiu, em maio de 2022, que a reparação ambiental havia sido cumprida de forma satisfatória. Em 3 de junho daquele ano, manifestações internas da secretaria indicaram que ainda deveriam ser recolhidos os valores das multas com correção.

As guias emitidas, porém, cobraram R$ 287,3 mil sobre uma multa de R$ 2,873 milhões e R$ 103,8 mil sobre outra de R$ 1,038 milhão, sem atualização pela inflação. O pagamento foi registrado como quitado no sistema de fiscalização municipal, segundo a reportagem.

O que diz a prefeitura

Em nota ao Metrópoles, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a cobrança das multas prescreveu e que, por isso, os valores foram exigidos sem correção monetária. A administração citou artigos de um decreto federal sobre prescrição.

Segundo a reportagem, a tese de prescrição não havia sido apresentada durante o processo administrativo nem na ação judicial que discutiu as multas. A prefeitura também não explicou por que a cobrança foi levada adiante, reconhecida e paga se considerava que o prazo já havia se encerrado.

Foto de capa: joao batista Shimoto/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

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