Pesquisas lideradas por Junyue Cao acompanharam milhões de células de camundongos e identificaram mudanças organizadas ao longo da vida.
O envelhecimento pode envolver uma sequência gradual e organizada de transformações celulares, e não apenas o acúmulo aleatório de danos no organismo. Essa é a hipótese defendida pelo biólogo celular Junyue Cao, da Universidade Rockefeller, a partir de estudos feitos com camundongos em diferentes fases da vida.
Segundo Cao, as alterações observadas formam estágios distintos, com mudanças em sinais moleculares e na presença de tipos específicos de células em órgãos e tecidos. O pesquisador afirmou que, em humanos, esse processo provavelmente começa antes dos 30 anos, mas os dados apresentados são de experimentos com animais.
O que os pesquisadores analisaram
A equipe reuniu células de 14 tecidos ou órgãos de cerca de 50 camundongos machos e fêmeas. Foram examinadas 21 milhões de células em cinco idades: 3, 6, 12, 16 e 23 meses.
Idades dos animais e equivalências aproximadas em humanos.
- 3 mesesPrimeira faseequivalente a 20 anos
- 6 mesesSegunda faseequivalente a 30 anos
- 12 mesesTerceira faseequivalente a 50 anos
- 16 mesesQuarta faseequivalente a 60 anos
- 23 mesesQuinta faseequivalente a 75 anos

Em cada célula, os cientistas analisaram a expressão de 20.000 genes. A comparação permitiu identificar de qual órgão vinha cada célula, a idade do animal e as mudanças moleculares relacionadas ao avanço da vida.
| Idade dos camundongos | Equivalência aproximada em humanos |
|---|---|
| 3 meses | 20 anos |
| 6 meses | 30 anos |
| 12 meses | 50 anos |
| 16 meses | 60 anos |
| 23 meses | 75 anos |
Mudanças na composição dos órgãos
De acordo com o pesquisador, cada etapa da vida dos animais foi marcada por redução ou expansão acentuada de determinados tipos celulares. Os estudos apontam para uma redistribuição das células que formam o corpo à medida que os mamíferos envelhecem.
Cao disse que mudanças moleculares e outros processos ligados à idade parecem convergir para uma remodelação da estrutura celular. Para ele, essa organização torna insuficiente explicar o envelhecimento por uma única via biológica ou por um só alvo para medicamentos.
O que ainda não está definido
A biologia do envelhecimento continua em debate. Uma linha de pesquisa sustenta que o processo resulta da deterioração de moléculas, células e órgãos quando os mecanismos de reparo do corpo deixam de acompanhar os danos.
A proposta de Cao não elimina essa explicação, mas interpreta os dados como indícios de que há uma ordem no processo. Os resultados citados foram publicados na revista Science em 2025 e 2026 e se concentram em mamíferos de laboratório, sem confirmação apresentada para todas as etapas em humanos.
Próximos passos da pesquisa
O objetivo do laboratório é entender como o envelhecimento avança em escala molecular, celular e de organismo inteiro. Segundo Cao, identificar essas dinâmicas pode ajudar a definir quais mecanismos devem ser investigados em futuros estudos sobre longevidade.
Com informações de Estadão.
Foto de capa: User:KaurJmeb/Wikimedia Commons (CC BY 1.0)

