Especialista explica as semelhanças entre as duas cozinhas e as adaptações de pratos como quibe e esfiha.
A culinária árabe ganhou espaço no Brasil com pratos como quibe e esfiha, mas sua influência também aparece nos ingredientes e na forma de reunir as pessoas à mesa. Em entrevista publicada pela Itatiaia em 27 de setembro, Vani Pedrosa, especialista em Pesquisa Gastronômica do Senac em Minas, relacionou essa presença a semelhanças entre as duas culturas alimentares.
Segundo Vani, as refeições têm, em ambas, um papel de encontro entre familiares. Ela também aponta o uso de ervas frescas, pães e farinhas e o hábito de combinar ingredientes em busca de novos sabores como pontos de aproximação.
O que mudou nas receitas
Os pratos que se popularizaram no Brasil nem sempre seguem o preparo tradicional. Vani cita a substituição da carne de cordeiro pela bovina como exemplo de adaptação aos ingredientes e aos costumes locais. Ainda assim, ela considera a culinária árabe uma das mais preservadas no país.
As diferenças também aparecem no modo de fazer. De acordo com a especialista, há uma versão de quibe cozida em coalhada, chamada labanie, pouco vista no Brasil. Ela menciona ainda esfihas abertas feitas com massa folhada, preparo que não é comum por aqui.
Comida e memória
Para Vani, adaptar uma receita é parte do caminho que uma tradição alimentar percorre ao chegar a outro lugar. As mudanças no prato, portanto, não significam necessariamente a perda de seus vínculos com a cultura de origem.
A especialista afirma que a cozinha também ajuda pessoas que migram a preservar gostos e lembranças de sua terra. Nesse sentido, sua presença no Brasil vai além dos pratos conhecidos: envolve modos de cozinhar, de compartilhar refeições e de manter laços familiares.
Com informações de itatiaia.com.br.
Foto de capa: Monica Kaneko from Sao Paulo, Brasil/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

