Vídeo de Ryany Soares, de 18 anos, viralizou ao registrar a primeira ativação do dispositivo, em 14 de setembro.
Ryany Soares, de 18 anos, ouviu a própria voz durante a primeira ativação de seu implante coclear, em 14 de setembro. O momento foi gravado pela família e repercutiu nas redes sociais, onde a jovem de São José do Goiabal, no Leste de Minas Gerais, aparece surpresa ao falar e perceber o som que produzia.
A jovem tem perda auditiva congênita, diagnosticada aos 3 anos. A condição, inicialmente severa, avançou até a surdez profunda e levou a família a buscar na Justiça a autorização para que a cirurgia fosse feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em Governador Valadares.
Da perda auditiva ao implante
Ryany começou a usar aparelhos de amplificação sonora aos 5 anos e teve acompanhamento fonoaudiológico. Nesse processo, desenvolveu a comunicação oral com apoio da audição residual, da leitura labial e da percepção de vibrações durante a fala.
Marcos relatados na história de Ryany Soares.
- 3 anosDiagnósticoPerda auditiva congênita
- 5 anosUso de aparelhosInício da amplificação sonora
- 5 vezesTrocas de aparelhoBusca por mais potência
- cerca de uma hora e meiaCirurgiaSob anestesia geral
- 14 de setembroPrimeira ativaçãoCinco dias após a cirurgia
Com o avanço da perda auditiva, ela trocou de aparelho cinco vezes em busca de modelos mais potentes. Segundo a jovem, o último já não atendia às necessidades e a piora passou a afetar a comunicação, o raciocínio e o equilíbrio.
O implante coclear foi indicado como alternativa diante desse quadro. Ao contrário dos aparelhos convencionais, que amplificam os sons, o dispositivo transforma os sons em sinais elétricos para estimular o nervo auditivo.
Cirurgia e adaptação ao novo som
O procedimento foi conduzido pelo otorrinolaringologista Emerson Monteiro, durou cerca de uma hora e meia e foi realizado sob anestesia geral. Ryany permaneceu internada por aproximadamente 24 horas.

Uma parte do implante é posicionada sob a pele, com eletrodos inseridos na cóclea, estrutura do ouvido interno. Do lado externo, um processador capta os sons do ambiente e funciona em conjunto com o sistema implantado.
De acordo com o médico, o fato de Ryany ter recebido estímulos auditivos durante boa parte da vida favorece a reabilitação. A ativação ocorreu cinco dias após a cirurgia, segundo relato publicado pela própria jovem em suas redes sociais.
Acompanhamento continua
A ativação não encerra o tratamento. Ryany terá consultas periódicas para o mapeamento do implante, com ajustes de volume, frequências e outros parâmetros conforme sua resposta ao dispositivo.
Ela também pretende retomar a fonoaudiologia e seguir com terapia psicológica durante a adaptação. Entre os planos para a nova fase estão produzir tutoriais de automaquiagem, aprender inglês e aprofundar os conhecimentos em Libras.
Próximos passos
Segundo Ryany, sons, vozes e palavras agora passam por um processo de reconhecimento. A jovem afirmou que quer usar a própria experiência para incentivar outras pessoas surdas a procurarem apoio e a não terem medo da surdez.
Com informações de terra.com.br.
Foto de capa: Adilson Fagundes/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

