Pagamentos ocorreram antes e depois do aval federal a crédito de R$ 710 milhões; Fazenda afirma que análise foi técnica.
A empresária e lobista Roberta Luchsinger recebeu pelo menos R$ 570 mil em 2024, durante a análise federal de um empréstimo de R$ 710 milhões para a Prefeitura de Goiânia, segundo comprovantes e mensagens obtidos pelo Metrópoles. A operação com o Banco do Brasil foi acertada para financiar obras de infraestrutura.
Naquele período, Luchsinger conversou sobre o pedido com Rogério Ceron, então chefe da Secretaria do Tesouro Nacional, órgão que participa da análise técnica. O Ministério da Fazenda afirma que a autorização seguiu critérios fiscais e que os contatos pessoais não interferiram no processo.
Pagamentos e conversas
De acordo com o Metrópoles, Luchsinger indicou contas para receber o dinheiro e cobrou pagamentos de Quesede Ayres Henrique, então secretário-executivo de Saúde de Goiânia. Os comprovantes apontam quatro repasses entre 21 de agosto e 4 de setembro de 2024; dois deles, que somam R$ 400 mil, foram feitos pela Construservice, empresa que mantinha contratos com a prefeitura.
As mensagens mostram que Luchsinger enviou a Ceron o número do processo do empréstimo e perguntou se ele receberia o então prefeito Rogério Cruz. A Fazenda informou que não há registro de que a reunião tenha ocorrido. A assessoria do ex-prefeito disse que ele não conhece Luchsinger nem manteve contato com ela.
Análise do empréstimo
Segundo a Fazenda, o Tesouro pediu quatro complementações de informações à prefeitura antes de concluir sua análise. O parecer técnico saiu em 30 de julho, e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional se manifestou em 7 de agosto. O aval do então ministro Fernando Haddad veio em 30 de agosto de 2024.
Datas apontadas na reportagem sobre o empréstimo de Goiânia.
- 30 de julho de 2024Parecer técnico
- 7 de agosto de 2024Manifestação da Procuradoria
- 21 de agosto de 2024Dois pagamentosComprovantes somam R$ 400 mil.
- 30 de agosto de 2024Aval federal
- 4 de setembro de 2024Último repasse identificado
A pasta afirma que Goiânia tinha nota A em capacidade de pagamento e atendia aos limites fiscais exigidos. A assessoria de Haddad disse ao Metrópoles que ele não teve contato com Luchsinger nem tratou do empréstimo com ela.
Esclarecimentos pendentes
Quesede não respondeu aos contatos do Metrópoles. Até a publicação da reportagem, a defesa de Luchsinger, o advogado do empresário que controla a Construservice e órgãos da prefeitura procurados pelo jornal não haviam prestado esclarecimentos.
Com informações de metropoles.com.
Foto de capa: Agência Senado/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

