Conversas encontradas no celular do dono do Banco Master foram divulgadas pela Veja e citadas em relatório da Polícia Federal.
Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam que ele mantinha conversas próximas com políticos, advogados e empresários, segundo diálogos divulgados pela revista Veja e mencionados em investigação da Polícia Federal. Nas trocas, ele e alguns dos interlocutores usam termos como “irmão”, “amigo”, “irmãozão” e “Dani”.
Entre os nomes citados estão os senadores Flávio Bolsonaro, Davi Alcolumbre, Otto Alencar e Ciro Nogueira, os deputados federais Nikolas Ferreira e Mario Frias, além dos advogados Ciro Soares e Rodrigo Fux. A assessoria de Alcolumbre afirmou que as supostas mensagens têm caráter pessoal e não apontam ilegalidade.
Contatos e mensagens encontradas
De acordo com a reportagem, Flávio Bolsonaro escreveu a Vorcaro que estaria com ele “sempre” e pediu uma orientação. O senador teria mantido contato com o empresário para buscar financiamento para o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mario Frias, que é um dos produtores do filme, também aparece em mensagem de áudio agradecendo a Vorcaro e o chamando de irmão. Já Ciro Soares, advogado que atuava pelo Banco Master e é apontado no inquérito como elo entre Vorcaro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, teria dito em uma conversa de 14 de abril de 2024 que “Gonet é firme”.
Segundo a fonte, Rodrigo Fux iniciou uma conversa em 17 de maio de 2024 com a expressão “Fala, irmão”. Vorcaro também usava apelidos para outros contatos: chamava Otto Alencar de “conselheiro” e “comandante” e descreveu Ciro Nogueira, em conversa com sua então noiva Martha Graeff, como um de seus grandes amigos de vida.
Investigações sobre o Banco Master
A PF investiga Vorcaro sob suspeita de uma fraude financeira que, segundo a fonte, teria inflado artificialmente o valor do Banco Master. A apuração aponta que o empresário teria estruturado documentos falsos para criar e elevar carteiras de crédito inexistentes.
Valores e datas mencionados no material sobre o caso Banco Master.
- R$ 61 milhõesRepasses investigadosMontante citado no inquérito
- R$ 250 mil por CPFCobertura atual do FGCValor mencionado na proposta
- R$ 1 milhãoCobertura propostaValor mencionado na proposta
- 14 de abril de 2024Conversa citadaDiálogo com Ciro Soares
- 17 de maio de 2024Mensagem de Rodrigo FuxData indicada no relatório

O relatório citado pela reportagem também menciona uma suposta rede de conexões com políticos, autoridades e servidores. Flávio Bolsonaro foi incluído em inquérito sobre repasses que somariam R$ 61 milhões, feitos pelo dono do banco, e o destino desses recursos. Uma das linhas investigadas avalia se parte do montante teria sido usada para custear ações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Ciro Nogueira, por sua vez, é suspeito de ter apresentado uma emenda que elevaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos de R$ 250 mil por CPF para R$ 1 milhão. Segundo a fonte, a investigação apura se haveria pagamentos e despesas relacionados à medida. As suspeitas relatadas estão sob investigação e não representam conclusão de culpa.
O que está sob apuração
As mensagens citadas fazem parte do material analisado pela Polícia Federal no inquérito sobre o Banco Master. A reportagem não informa decisões judiciais definitivas sobre as suspeitas envolvendo os políticos, advogados e empresários mencionados nas conversas.
A manifestação reproduzida no material é a da assessoria de Davi Alcolumbre, que negou que o teor das supostas mensagens indique ilegalidade. Não há, nas fontes fornecidas, posicionamentos dos demais citados sobre os diálogos.
Com informações de metropoles.com.
Foto de capa: Rovena Rosa/Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br)

