Revisão de 37 estudos indica que hábitos alimentares, atividade física, sono e controle do estresse ajudam a sustentar os resultados.
Medicamentos usados no tratamento de diabetes e obesidade, como semaglutida e tirzepatida, podem levar à perda de peso, mas a interrupção do uso costuma ser seguida por reganho gradual. A avaliação é reforçada por uma revisão sistemática publicada no BMJ e citada pela Forbes Brasil nesta sexta-feira (25).
Segundo o endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Einstein Hospital Israelita, a obesidade é uma doença crônica e o retorno do peso não deve ser associado à falta de esforço do paciente. Os remédios agem sobre mecanismos ligados à fome e à saciedade, mas o organismo pode voltar a favorecer o ganho de peso quando o tratamento termina.
O que mostrou a revisão
A análise reuniu 37 estudos com mais de 9.300 adultos com sobrepeso ou obesidade. Os participantes haviam usado desde medicamentos como sibutramina e orlistate até liraglutida, semaglutida e tirzepatida.
Dados sobre tratamento e reganho de peso após a suspensão.
- 37Estudos analisados
- mais de 9.300ParticipantesAdultos com sobrepeso ou obesidade
- 39 semanasTempo de tratamentoEm média
- 32 semanasAcompanhamento posteriorApós interromper a medicação
- 8,3 kgPerda média de pesoEntre quem usou medicamentos
- 0,4 kg por mêsReganho mensalApós a suspensão
Em média, as pessoas ficaram 39 semanas em tratamento e foram observadas por mais 32 semanas após a suspensão. A perda média entre quem usou medicamentos foi de 8,3 kg, mais que o dobro do verificado nos grupos de controle, segundo os pesquisadores.
Após o fim do tratamento, o peso aumentou cerca de 0,4 kg por mês. Nesse ritmo, os participantes voltariam ao peso inicial em aproximadamente um ano e sete meses. A revisão também apontou redução progressiva de ganhos metabólicos obtidos durante o uso, como melhora da glicemia, do colesterol e da pressão arterial.
Hábitos que podem ajudar na manutenção
Rosenbaum afirmou que a medicação deve integrar uma estratégia mais ampla, que envolva acompanhamento médico e equipe multiprofissional. Segundo ele, apenas reduzir a alimentação por causa da diminuição do apetite, sem alterar outros comportamentos, aumenta a chance de recuperar boa parte do peso depois.
De acordo com o médico, as medidas associadas à manutenção dos resultados incluem:
- alimentação com proteínas e fibras e menor consumo de ultraprocessados;
- prática regular de exercícios, para preservar a massa magra e elevar o gasto energético;
- sono adequado, relacionado à regulação de hormônios do apetite;
- controle do estresse, que pode reduzir episódios de alimentação emocional.
O endocrinologista disse que não é possível prever quais pacientes não recuperarão todo o peso perdido. Ele observou, porém, que o reganho tende a ser menor entre pessoas que perderam menos peso, tinham obesidade menos grave e mantiveram hábitos saudáveis de forma consistente.
Com informações de forbes.com.br.

