Empreendedoras adotam produção em pequena escala e valorizam a escolha dos materiais.
Marcas da Serra gaúcha estão adotando formas de produção ligadas ao slow fashion, movimento que prioriza a qualidade das peças e a atenção aos processos de criação. A Ariel Studio, de Ana Ariel Rodrigues, trabalha com lingerie personalizada; a designer Martina Cambruzzi deixou de produzir coleções para se dedicar a roupas sob medida.
As duas trajetórias mostram caminhos para produzir fora do ritmo de renovação constante das coleções. Segundo a pesquisadora de moda e design Beth Venzon, o slow fashion ganhou força como reação ao fast fashion, modelo marcado pela rapidez na fabricação e no lançamento de peças.
Lingerie adaptada a cada cliente
Ana criou a Ariel Studio depois de ter dificuldade para encontrar lingerie que considerasse confortável. Na marca, cada cliente pode escolher um modelo e adaptá-lo ao próprio corpo e estilo. A empreendedora também procura dar espaço a fornecedores brasileiros, especialmente na compra de elásticos e rendas.
A empresa começou na Serra gaúcha e atende clientes de outras regiões do Brasil pela internet. De acordo com Ana, a personalização e o cuidado com os materiais fazem parte da proposta de produzir menos, com atenção aos detalhes.
A mudança para o sob medida
Martina Cambruzzi descobriu o interesse pelo bordado em um curso durante o Ensino Médio e estudou moda no Brasil e em Milão, na Itália. Após voltar ao país, em 2021, trabalhou com coleções na própria grife. Os pedidos de roupas sob medida começaram depois que uma amiga pediu ajuda para encontrar um vestido para uma premiação.
Marcos do movimento e da trajetória de Martina Cambruzzi.
- anos 1990Fast fashion ganha força
- anos 2000Slow fashion ganha força
- 2021Martina volta ao Brasil
- janeiro de 2026Grife passa ao sob medida
Em janeiro de 2026, Martina encerrou a produção de coleções para trabalhar exclusivamente sob medida. Entre os projetos atuais citados pela designer estão vestidos para bailes de debutantes e para a rainha do clube. Ela afirma que as experiências com coleções ajudaram a formar as referências que usa nas criações individuais.
O que caracteriza o slow fashion
Beth Venzon explica que a proposta não exige abandonar a tecnologia nem produzir tudo de forma artesanal. O foco, segundo a pesquisadora, é considerar o tempo de criação, a qualidade, os materiais e as pessoas envolvidas na fabricação. Nesse modelo, a origem da peça e os processos usados para fazê-la também ganham espaço.
Com informações de gauchazh.clicrbs.com.br.
Foto de capa: Bembety/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

