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Finanças

Selic cai a 13,75%, mas empresas ainda enfrentam dívida recorde

Selic caiu a 13,75%, mas Brasil tem 9,2 milhões de empresas negativadas, segundo a Serasa Experian.

Tiago da Silva CândidoPorTiago da Silva Cândido 2 min de leitura
Banco Central do Brasil
Foto: Banco Central do Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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Dados da Serasa Experian apontam 9,2 milhões de empresas negativadas, com R$ 238,6 bilhões em débitos.

O Banco Central reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano na reunião de setembro do Copom, no quinto corte consecutivo da taxa básica. Embora a medida tenda a aliviar o crédito para consumidores e empresas, o efeito ocorre após um período prolongado de juros elevados, segundo análise publicada pelo Estado de Minas.

A Selic ficou em 15% entre junho de 2025 e março deste ano, cenário que pressionou o caixa de negócios brasileiros. De acordo com a Serasa Experian, o país chegou ao recorde de 9,2 milhões de empresas negativadas, que somam R$ 238,6 bilhões em dívidas.

Pressão sobre o caixa

A reportagem aponta que a redução dos juros não elimina de imediato os problemas financeiros acumulados. Empresas podem registrar vendas elevadas e lucro no balanço, mas ainda assim não ter recursos disponíveis para arcar com salários, fornecedores e impostos, afirmou o professor da Uniasselvi e especialista em gestão financeira Fernando Eduardo Cardoso.

InfográficoTrajetória recente da Selic

Taxa ficou em 15% antes dos cortes indicados na reportagem.

  1. junho de 2025Início do períodoSelic em 15%
  2. março deste anoFim da manutençãoSelic permaneceu em 15%
  3. setembroReunião do Copomtaxa caiu para 13,75%
Fonte: Banco CentralBlog Viiish

Segundo Cardoso, o desequilíbrio pode surgir quando a empresa paga fornecedores e funcionários em 30 dias, mas concede 60 ou 90 dias aos clientes. Nesse intervalo, as despesas continuam a vencer, enquanto o dinheiro das vendas ainda não entrou no caixa.

Recuperações judiciais avançam

O cenário também se reflete nos pedidos de recuperação judicial. No segundo trimestre de 2025, 819 empresas de diferentes portes recorreram ao mecanismo; no mesmo período de 2026, foram 986 pedidos, alta de 20%, segundo os dados citados pela publicação.

O comércio varejista teve quase mil empresas em recuperação judicial recentemente. A lista mencionada na análise inclui Americanas, Pão de Açúcar, Casas Bahia e Marabraz, em meio a mudanças no comportamento dos consumidores e ao período de juros reais elevados.

Sinais apontados pelo especialista

Cardoso citou indícios de fragilidade que podem passar despercebidos durante a expansão das vendas:

  • faturamento maior sem aumento proporcional do lucro;
  • antecipação frequente de recebíveis para pagar despesas rotineiras;
  • crescimento dos valores a receber sem avanço equivalente do caixa.

Para o especialista, micro e pequenas empresas são especialmente vulneráveis. Ele afirmou que empréstimos devem servir à expansão do negócio, e não à cobertura de falhas recorrentes de organização financeira.

Foto de capa: Banco Central do Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

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