Dados da Serasa Experian apontam 9,2 milhões de empresas negativadas, com R$ 238,6 bilhões em débitos.
O Banco Central reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano na reunião de setembro do Copom, no quinto corte consecutivo da taxa básica. Embora a medida tenda a aliviar o crédito para consumidores e empresas, o efeito ocorre após um período prolongado de juros elevados, segundo análise publicada pelo Estado de Minas.
A Selic ficou em 15% entre junho de 2025 e março deste ano, cenário que pressionou o caixa de negócios brasileiros. De acordo com a Serasa Experian, o país chegou ao recorde de 9,2 milhões de empresas negativadas, que somam R$ 238,6 bilhões em dívidas.
Pressão sobre o caixa
A reportagem aponta que a redução dos juros não elimina de imediato os problemas financeiros acumulados. Empresas podem registrar vendas elevadas e lucro no balanço, mas ainda assim não ter recursos disponíveis para arcar com salários, fornecedores e impostos, afirmou o professor da Uniasselvi e especialista em gestão financeira Fernando Eduardo Cardoso.
Taxa ficou em 15% antes dos cortes indicados na reportagem.
- junho de 2025Início do períodoSelic em 15%
- março deste anoFim da manutençãoSelic permaneceu em 15%
- setembroReunião do Copomtaxa caiu para 13,75%
Segundo Cardoso, o desequilíbrio pode surgir quando a empresa paga fornecedores e funcionários em 30 dias, mas concede 60 ou 90 dias aos clientes. Nesse intervalo, as despesas continuam a vencer, enquanto o dinheiro das vendas ainda não entrou no caixa.
Recuperações judiciais avançam
O cenário também se reflete nos pedidos de recuperação judicial. No segundo trimestre de 2025, 819 empresas de diferentes portes recorreram ao mecanismo; no mesmo período de 2026, foram 986 pedidos, alta de 20%, segundo os dados citados pela publicação.
O comércio varejista teve quase mil empresas em recuperação judicial recentemente. A lista mencionada na análise inclui Americanas, Pão de Açúcar, Casas Bahia e Marabraz, em meio a mudanças no comportamento dos consumidores e ao período de juros reais elevados.
Sinais apontados pelo especialista
Cardoso citou indícios de fragilidade que podem passar despercebidos durante a expansão das vendas:
- faturamento maior sem aumento proporcional do lucro;
- antecipação frequente de recebíveis para pagar despesas rotineiras;
- crescimento dos valores a receber sem avanço equivalente do caixa.
Para o especialista, micro e pequenas empresas são especialmente vulneráveis. Ele afirmou que empréstimos devem servir à expansão do negócio, e não à cobertura de falhas recorrentes de organização financeira.
Com informações de em.com.br.
Foto de capa: Banco Central do Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

