Candidato ao governo diz ter sete peças, uma para cada dia, e associa a escolha à transparência na vida pública.
A camisa social branca, ou em tons claros, tem sido recorrente nas agendas dos candidatos ao governo de Minas Gerais nas eleições deste ano. Entre os principais nomes da disputa, Gabriel Azevedo (MDB) é o único que adotou a peça como uniforme de campanha, segundo levantamento de O TEMPO.
O candidato afirma ter sete camisas brancas, destinadas aos dias da semana. A escolha, que começou quando ele foi eleito vereador de Belo Horizonte em 2016, é apresentada por Azevedo como símbolo de transparência e de sua trajetória política.
Uma escolha transformada em identidade
Azevedo disse que usa uma camisa por dia, lava a peça e a deixa pronta para a semana seguinte. Segundo ele, essa é a quarta eleição em que repete o padrão visual: além da campanha atual ao governo mineiro, ele foi eleito vereador em 2016, reeleito em 2020 e disputou a Prefeitura de Belo Horizonte em 2024.
Em publicação nas redes sociais, o emedebista relacionou a roupa à origem latina da palavra “candidato”, ligada à ideia de alguém vestido de branco. Ele também citou as togas clareadas usadas por candidatos a cargos públicos na Roma antiga. Ao falar sobre a cor, afirmou que ela remete à necessidade de deixar “as contas abertas, a história conhecida e os vínculos visíveis”.
A doutoranda em ciência política Deniza Gurgel, que pesquisa o impacto da imagem na percepção do eleitor, avaliou que a repetição dá à camisa uma função de marca pessoal. Para ela, a narrativa criada por Azevedo diferencia o uso da peça das escolhas mais pontuais de outros concorrentes.
Tons neutros e imagem de proximidade
Alexandre Kalil (PDT), Mateus Simões (PSD), Patrus Ananias (PT) e Flávio Roscoe (PL) também têm usado camisas sociais em agendas, debates, sabatinas e vídeos. Procuradas por O TEMPO, as campanhas disseram que as roupas refletem o gosto pessoal dos candidatos; a equipe de Simões acrescentou que as peças também buscam transmitir uma imagem mais jovem e próxima do eleitor.
Para Deniza Gurgel, a camisa sem paletó acompanha uma mudança na comunicação visual de políticos, que deixam de lado parte da formalidade para passar uma ideia de trabalho e menor distanciamento. Na avaliação da pesquisadora, os tons claros ou neutros costumam reforçar leveza e proximidade.
O branco, em particular, pode ser usado como uma cor visualmente neutra em um ambiente de polarização, pois não se liga diretamente a um partido, segundo a especialista. Ela pondera, porém, que a escolha sem uma narrativa própria pode padronizar os candidatos e reduzir a diferenciação entre eles.
Flávio Roscoe prefere polos em compromissos de campanha e reserva camisas sociais para sabatinas e debates. Já Cleitinho Azevedo (Republicanos), apontado pela fonte como líder nas pesquisas de intenção de voto, tem usado camisetas: primeiro com referências a times e, na reta final, com menções a Minas Gerais.
Com informações de otempo.com.br.
Foto de capa: Isabela Nascimento Calaça/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

