Para fazer uma planilha de gastos mensais, abra o Excel ou o Google Planilhas e crie colunas para data, descrição, categoria, forma de pagamento e valor. Lance primeiro toda a renda do mês e depois registre cada gasto conforme ele acontece. Some tudo com a fórmula SOMA e veja quanto foi para cada categoria com a SOMASE. No fim do mês, compare o que você planejou gastar com o que gastou de verdade. Fica pronto em menos de meia hora, e o que faz a planilha funcionar é usar sempre, não ter fórmulas complicadas.
Abaixo está o passo a passo completo, com um modelo de estrutura, as fórmulas mais úteis, os erros que fazem muita gente desistir na segunda semana e dicas para transformar o controle em hábito.
Por que vale a pena ter uma planilha de gastos mensais
Quase todo mundo sabe quanto ganha, mas pouca gente sabe dizer para onde vai o dinheiro. As pequenas despesas do dia a dia, como cafezinho, aplicativo de entrega, tarifa bancária ou assinatura esquecida, parecem pouca coisa uma por uma. Somadas ao longo de um mês, podem pesar bastante.
A planilha mostra esse retrato com clareza. Com ela, você consegue:
- Ver quais categorias consomem a maior parte da renda;
- Identificar gastos que podem ser cortados ou renegociados;
- Planejar compras maiores sem apelar para o crédito caro;
- Montar uma reserva de emergência com metas realistas;
- Evitar surpresas com despesas anuais, como IPVA, IPTU e material escolar.
Os aplicativos de finanças também resolvem, mas a planilha tem uma vantagem: você decide as categorias, o nível de detalhe e o formato. E costuma ser gratuita.
O que separar antes de começar
Antes de abrir o programa, junte as informações que vão alimentar a planilha. Assim você não trava no meio do caminho:
- Comprovantes de renda: salário líquido (o que cai na conta), pró-labore, renda extra, pensão, aluguel recebido;
- Contas fixas: aluguel ou financiamento, condomínio, luz, água, internet, telefone, escola, plano de saúde;
- Faturas de cartão de crédito dos últimos dois ou três meses;
- Extratos bancários do mesmo período, para encontrar débitos automáticos e Pix que passam despercebidos.
Olhar os meses anteriores ajuda a estimar valores realistas para o planejamento, em vez de chutar.
Como fazer uma planilha de gastos mensais: passo a passo
1. Escolha a ferramenta
As opções mais comuns são o Excel, o Google Planilhas e o LibreOffice Calc, que é gratuito. O Google Planilhas tem uma vantagem prática: fica salvo na nuvem e pode ser aberto no celular, o que facilita lançar um gasto na hora. Também permite compartilhar com o cônjuge ou com quem divide as despesas da casa.
2. Crie a aba de lançamentos
Na primeira aba, que pode se chamar “Lançamentos”, escreva na linha 1 os títulos das colunas:
- Data: dia em que o gasto aconteceu;
- Descrição: o que foi comprado ou pago;
- Categoria: moradia, alimentação, transporte etc.;
- Tipo: fixo, variável ou eventual;
- Forma de pagamento: débito, Pix, dinheiro, cartão de crédito;
- Valor: sempre em número, sem o “R$” digitado à mão (use a formatação de moeda).
Deixe a linha de títulos em negrito e congele a primeira linha (no menu Exibir), para que ela continue visível quando a lista crescer.
3. Defina as categorias
Use entre 8 e 12 categorias. Poucas demais escondem detalhes, e muitas viram burocracia. Uma sugestão que serve para a maioria das casas:
- Moradia (aluguel, condomínio, IPTU, manutenção)
- Contas da casa (luz, água, gás, internet, telefone)
- Alimentação (mercado, feira, padaria)
- Refeições fora e delivery
- Transporte (combustível, aplicativo, transporte público, estacionamento)
- Saúde (plano, farmácia, consultas)
- Educação (escola, cursos, livros)
- Lazer e assinaturas
- Cuidados pessoais e vestuário
- Dívidas e parcelamentos
- Investimentos e reserva
- Outros
Para evitar erros de digitação (como “Alimentaçao” sem acento, que a fórmula vai tratar como outra categoria), crie uma lista suspensa. No Google Planilhas e no Excel, isso fica em Dados > Validação de dados: selecione a coluna Categoria e informe a lista de opções.
4. Registre a renda do mês
Crie uma segunda aba chamada “Resumo”. No topo, liste todas as entradas previstas: salário líquido, renda extra, benefícios. Some tudo em uma célula de “Renda total”. Esse número é o teto do mês, e todo o planejamento parte dele.
5. Planeje quanto pretende gastar em cada categoria
Ainda na aba “Resumo”, monte uma tabela com três colunas: Categoria, Previsto e Realizado. Na coluna Previsto, coloque quanto você pretende gastar em cada área, com base nos extratos dos meses anteriores. Uma referência popular é a regra 50/30/20: cerca de 50% da renda para necessidades, 30% para desejos e 20% para poupar ou quitar dívidas. Ela não é obrigatória. Serve como ponto de partida e pode ser ajustada à sua realidade.
6. Lance cada gasto conforme ele acontece
Esse é o coração da planilha. Toda vez que sair dinheiro, registre uma linha na aba de lançamentos. O ideal é lançar no mesmo dia ou, no máximo, reservar alguns minutos por semana para atualizar tudo com o extrato do banco.
7. Conecte os lançamentos ao resumo com fórmulas
A coluna Realizado deve ser preenchida automaticamente. Para isso, use a fórmula SOMASE, explicada com detalhes mais abaixo. Assim, cada gasto lançado já atualiza o total da categoria.
Planilha de gastos em 6 etapas
1. Colunas
Data, descrição, categoria, tipo, pagamento e valor.
2. Categorias
Entre 8 e 12, numa lista suspensa.
3. Renda
Some todas as entradas líquidas do mês.
4. Previsto
Defina um limite para cada categoria.
5. Lançamentos
Registre cada saída no dia ou toda semana.
6. Análise
Compare previsto e realizado e ajuste o mês seguinte.
Modelo de estrutura para copiar
Na aba “Resumo”, a tabela de acompanhamento pode seguir este formato. Os valores ficam por sua conta. O importante é a lógica das colunas:
| Categoria | Previsto | Realizado | Diferença | % da renda |
|---|---|---|---|---|
| Moradia | valor planejado | =SOMASE(…) | =B2-C2 | =C2/Renda total |
| Alimentação | valor planejado | =SOMASE(…) | =B3-C3 | =C3/Renda total |
| Transporte | valor planejado | =SOMASE(…) | =B4-C4 | =C4/Renda total |
| Lazer e assinaturas | valor planejado | =SOMASE(…) | =B5-C5 | =C5/Renda total |
| Total | =SOMA(B2:B13) | =SOMA(C2:C13) | =B14-C14 | =C14/Renda total |
Uma diferença positiva indica que você gastou menos do que previu. Uma negativa mostra onde o orçamento estourou.

Fórmulas essenciais para a planilha de gastos
Você não precisa dominar Excel. Quatro fórmulas resolvem praticamente tudo. Nas versões em português, os argumentos costumam ser separados por ponto e vírgula.
SOMA: total de gastos
=SOMA(F2:F500) soma todos os valores da coluna F, onde ficam os gastos. Use um intervalo grande para não precisar ajustar a fórmula à medida que novos lançamentos entram.
SOMASE: total por categoria
=SOMASE(Lançamentos!C:C;"Alimentação";Lançamentos!F:F) soma apenas os valores cuja categoria é “Alimentação”. Em vez de digitar o nome, você pode apontar para a célula do resumo onde a categoria está escrita, por exemplo =SOMASE(Lançamentos!C:C;A3;Lançamentos!F:F), e arrastar a fórmula para as linhas de baixo.
Saldo do mês
Basta subtrair: =Renda total - Total de gastos. Se o resultado for negativo, você gastou mais do que ganhou.
SE: alerta de estouro
=SE(C2>B2;"Acima do previsto";"Dentro do limite") mostra um aviso quando o realizado passa do planejado. Para ficar ainda mais visual, use a formatação condicional para pintar a célula de vermelho nesses casos.
Gastos fixos, variáveis e eventuais: por que separar
A coluna “Tipo” parece detalhe, mas muda a qualidade da análise:
- Fixos: se repetem todo mês com valor parecido (aluguel, escola, internet). Cortá-los exige renegociação ou mudança de contrato, mas o efeito dura.
- Variáveis: acontecem sempre, mas o valor oscila (mercado, combustível, luz). É aqui que pequenos ajustes de hábito fazem diferença rápida.
- Eventuais: não são mensais (IPVA, presentes, consertos, anuidades). São os grandes vilões do orçamento quando chegam de surpresa.
Para os eventuais, uma boa prática é criar uma aba “Gastos anuais”, listar o que vem ao longo do ano, dividir o total por 12 e reservar esse valor todo mês. Assim, quando a conta chega, o dinheiro já está separado.
Como lidar com o cartão de crédito na planilha
O cartão é onde mais gente se confunde. Existem dois jeitos de registrar, e o importante é escolher um e manter:
- Pela data da compra: você lança cada compra no dia em que foi feita, na categoria certa. Mostra melhor o comportamento de consumo.
- Pelo pagamento da fatura: você lança o valor total da fatura no mês em que paga. Mostra melhor o fluxo de caixa, mas esconde em que você gastou.
O que não pode é fazer os dois ao mesmo tempo, porque o gasto aparece duplicado. Compras parceladas devem ser lançadas parcela a parcela, em cada mês, para que você saiba quanto da renda futura já está comprometido.
Como analisar a planilha no fim do mês
Reserve meia hora no último dia do mês ou no primeiro do seguinte e responda a algumas perguntas:
- O saldo ficou positivo ou negativo?
- Quais categorias passaram do previsto, e por quê?
- Houve gasto que você nem lembrava de ter feito?
- Existe alguma assinatura ou serviço que pode ser cancelado?
- O valor destinado à reserva ou aos investimentos foi cumprido?
Depois disso, duplique a aba do mês (clique com o botão direito na aba e escolha “Duplicar”), limpe os lançamentos e ajuste os valores previstos com o que aprendeu. Com três ou quatro meses de registros, o planejamento fica bem mais preciso.

Erros comuns que fazem a planilha não funcionar
- Usar a renda bruta: o planejamento deve partir do valor que realmente cai na conta, já com os descontos.
- Esquecer os gastos pequenos: são justamente eles que mais surpreendem no fim do mês.
- Criar categorias demais: se lançar um gasto exige pensar muito, você vai parar de lançar.
- Deixar para preencher tudo no fim do mês: a memória falha e o extrato não diz o que foi cada Pix.
- Tratar a planilha como castigo: o objetivo é enxergar e decidir melhor, não se culpar por cada real.
- Não prever gastos anuais: IPVA, IPTU e matrícula escolar desequilibram qualquer orçamento quando não estão planejados.
- Digitar valores como texto: “R$ 50,00” digitado à mão pode não entrar nas somas. Digite só o número e formate a coluna como moeda.
Dicas para manter o hábito
- Deixe a planilha salva como atalho na tela inicial do celular;
- Defina um dia fixo da semana para conferir os lançamentos com o extrato;
- Guarde comprovantes num só lugar, como uma pasta de fotos ou uma caixa;
- Comece simples e só acrescente gráficos e abas quando o básico já estiver funcionando;
- Se a casa tem mais de uma pessoa com renda, compartilhe a planilha e combinem quem lança o quê;
- Crie um gráfico de pizza com os totais por categoria: visualizar a proporção costuma motivar mais do que olhar números.
Se as dívidas já comprometem boa parte da renda, a planilha é o primeiro passo para organizar a situação. Vale também procurar o seu banco para entender opções de renegociação ou buscar orientação de um planejador financeiro.
Perguntas frequentes
Qual é o melhor programa para fazer uma planilha de gastos mensais?
O Google Planilhas é o mais prático para a maioria das pessoas, porque é gratuito, salva automaticamente e funciona bem no celular. O Excel tem mais recursos avançados, e o LibreOffice Calc é uma alternativa gratuita para computador. Todos aceitam as mesmas fórmulas básicas.
Preciso saber Excel para montar a planilha?
Não. Com SOMA, SOMASE e uma subtração simples você já tem uma planilha funcional. Recursos como lista suspensa e formatação condicional são opcionais e fáceis de aprender.
Devo fazer uma aba por mês ou uma planilha por ano?
O mais comum é um arquivo por ano, com uma aba para cada mês e uma aba de resumo anual. Assim você compara os meses e enxerga a evolução sem abrir vários arquivos.
Como registrar gastos pagos em dinheiro?
Lance o saque como transferência, sem categoria de consumo, e registre cada gasto feito com aquele dinheiro na categoria certa. Se ficar difícil acompanhar, crie uma categoria “Dinheiro sem identificação” e tente reduzi-la a cada mês.
Quanto tempo leva para a planilha dar resultado?
No primeiro mês você já descobre para onde vai o dinheiro. Para um planejamento confiável, com valores previstos realistas, o ideal é ter de dois a três meses de registros completos.
Planilha ou aplicativo de finanças: qual escolher?
Depende do seu perfil. Aplicativos categorizam automaticamente e mandam lembretes, mas podem limitar a personalização. A planilha dá controle total e flexibilidade. O melhor é o que você realmente vai usar todos os dias.
Montar a planilha é a parte fácil. O que muda a vida financeira é abrir o arquivo toda semana, olhar os números com calma e ajustar as escolhas. Comece com a estrutura básica, mantenha o hábito por alguns meses e, aos poucos, o orçamento passa a trabalhar a seu favor.




