Experimento iniciado nos anos 1950 resultou na disseminação de híbridas que hoje predominam na produção de mel no país.
Na década de 1950, o geneticista brasileiro Warwick Estevam Kerr pesquisou formas de tornar as abelhas usadas na produção de mel mais adaptadas ao clima tropical. As linhagens europeias então criadas no Brasil tinham produtividade limitada em diversas regiões e não respondiam tão bem ao calor.
Em 1956, Kerr foi à África coletar rainhas de diferentes populações para um programa de melhoramento genético. A proposta era cruzá-las, especialmente, com abelhas italianas, buscando unir produtividade e adaptação a um comportamento mais fácil de manejar.
O escape das colmeias
As rainhas africanas foram mantidas em núcleos experimentais, com telas destinadas a impedir sua saída. Mas, no ano seguinte, parte dessas barreiras foi retirada das colmeias, segundo relatos históricos citados pela fonte.
Etapas relatadas na história do experimento de Warwick Kerr.
- anos 1950Década de 1950pesquisa para melhorar colônias
- 1956Coleta na ÁfricaKerr coletou rainhas
- 1957Escape das colmeias26 famílias migraram ou enxamearam
Quando o problema foi identificado, 26 famílias de abelhas já tinham enxameado ou migrado. Fora do apiário, seus descendentes passaram a cruzar com as abelhas europeias que estavam espalhadas pelo país.
Desse processo surgiram as abelhas africanizadas, populações híbridas com genes de diferentes subespécies de Apis mellifera. Nos primeiros anos, a expansão trouxe dificuldades porque os criadores ainda não tinham práticas adequadas para lidar com esses insetos.
Desafios para os produtores
As africanizadas eram mais defensivas e enxameavam com maior facilidade que as linhagens europeias às quais muitos apicultores estavam acostumados. A mudança exigiu adaptação no trabalho com as colmeias e trouxe maior risco de ataques quando os apiários eram instalados em locais inadequados.
- Instalação das colmeias em áreas mais apropriadas.
- Treinamento específico para os apicultores.
- Ajuste das técnicas de manejo e da seleção genética.
O próprio Kerr reconheceu mais tarde a gravidade do episódio e disse ter ficado associado por anos aos problemas provocados pela introdução das abelhas africanas, conforme a fonte.
Adaptação e produção de mel
Com o avanço das pesquisas e das práticas de criação, os produtores passaram a aproveitar características das africanizadas. Essas abelhas mostraram boa adaptação ao ambiente brasileiro, eficiência na busca de alimento e desempenho produtivo.
Revisões recentes sobre a trajetória da apicultura nacional também apontam aumento da produtividade e benefícios relacionados à polinização agrícola depois que essas populações se consolidaram. Décadas após o escape, as africanizadas se tornaram predominantes na apicultura brasileira.
O trabalho de Kerr além do episódio
Kerr também atuou em genética, zoologia e estudos sobre abelhas nativas sem ferrão. Segundo a fonte, ele participou da formação de pesquisadores e apicultores durante décadas.
O caso das africanizadas, no entanto, marcou sua trajetória por alterar uma atividade econômica em escala nacional. O projeto surgiu para resolver um problema de adaptação das colônias ao clima tropical, mas um acidente de manejo mudou o curso da pesquisa.
Com informações de terra.com.br.
Foto de capa: David De Jong, Vera Lucia Imperatriz-Fonseca, Lionel Segui Gonçalves, Tiago Mau…/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

