Discussão chegou ao Conselho de Segurança da ONU e opõe propostas de regras globais à defesa da soberania nacional.
O debate sobre os riscos existenciais da inteligência artificial chegou, pela primeira vez, ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e também foi tratado no encontro entre Donald Trump e Xi Jinping nesta quinta-feira. A discussão envolve regras para empresas de tecnologia, cooperação entre países e a disputa comercial entre Estados Unidos e China.
Empresas como Anthropic, OpenAI e Google passaram a defender padrões internacionais para testar modelos, comunicar incidentes e estabelecer limites ao ritmo de desenvolvimento da tecnologia. Críticos, porém, veem o movimento como uma tentativa do próprio setor de conduzir a regulação antes de enfrentar processos por danos causados por seus sistemas.
Disputa sobre quem deve regular
Em 12 de setembro, Dario Amodei, fundador da Anthropic, pediu uma regulação para o setor e recebeu apoio de Sam Altman, da OpenAI. A proposta inclui avaliações globais de modelos e regras de segurança aplicáveis a toda a indústria.
Segundo o site The Information, Demis Hassabis, do Google, sugeriu uma agência reguladora liderada pelo setor. A publicação informou que Google, OpenAI e Anthropic começaram a discutir um grupo de trabalho que poderia formar a Autoridade de Padrões de IA de Fronteira, a SAFA.
A ideia de autorregulação encontra resistência. No Conselho de Segurança, o representante do Reino Unido, Ed Miliband, defendeu que governos não podem transferir às empresas privadas a responsabilidade de proteger a população.
EUA e China divergem sobre cooperação
Dario Amodei afirmou na reunião da ONU que a governança da IA é o problema de segurança global mais urgente da atualidade e pediu que países deixem de lado divergências geopolíticas. Especialistas como Heidy Khlaaf, do AI Now Institute, defendem regras inspiradas em setores como energia nuclear, aviação, saúde e finanças, com investigações e testes compartilhados.
A Casa Branca rejeita uma estrutura global de controle. Na Assembleia Geral da ONU, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos não aceitam tentativas de impor uma governança globalista sobre a inteligência artificial; o governo americano defende que cada país trate do tema por meio de seus próprios representantes.
A China mantém discurso favorável ao multilateralismo e à ONU, mas também rejeita frear o desenvolvimento tecnológico. Em 14 de setembro, Guo Jiakun, do Ministério das Relações Exteriores chinês, criticou o alarmismo e a concorrência desleal no debate.
Blocos e iniciativas em disputa
A fragmentação aparece em iniciativas lideradas pelas duas potências. A Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, criada pela China, reúne 29 Estados-fundadores, entre eles o Brasil, para apoiar capacitação, estratégias nacionais e interoperabilidade.
Datas de declarações e iniciativas mencionadas na discussão.
- 12 de setembroRegulação defendidaManifestação de Dario Amodei
- 14 de setembroPosição da ChinaDeclaração de Guo Jiakun
- fim de 2025Pax SilicaIniciativa dos Estados Unidos
- 29Estados da WaicoInclui o Brasil
Os Estados Unidos lançaram, no fim de 2025, o Pax Silica, iniciativa voltada à segurança das cadeias de suprimentos de IA, semicondutores e minerais críticos. A Rússia, por sua vez, questionou se o Conselho de Segurança é o fórum adequado para o tema, citando os limites do mandato do órgão.
Com informações de oglobo.globo.com.
Foto de capa: U.S. Department of State from United States/Wikimedia Commons (Public domain)

