Levantamento reuniu 51 encalhes na costa brasileira entre 2010 e 2025 e aponta Salinópolis, no Pará, como área mais afetada.
Grandes volumes de sargaço pelágico têm chegado a praias do Norte e Nordeste do Brasil, com efeitos sobre a pesca, a vida marinha e o turismo, segundo estudo publicado em 2026. Ao se acumular e se decompor, o material pode reduzir o oxigênio da água, prejudicando peixes e outros organismos próximos à costa.
O levantamento analisou encalhes registrados entre 2010 e 2025 e identificou maior concentração no Pará, especialmente na Praia do Atalaia, em Salinópolis. As causas do fenômeno ainda são investigadas e envolvem fatores como circulação oceânica, ventos, nutrientes e condições que favorecem o crescimento das algas.
O tamanho dos encalhes registrados
Os pesquisadores reuniram 51 registros de encalhes na costa brasileira. Foram 40 casos identificados em reportagens e 11 em trabalhos científicos, o que, segundo o estudo, mostra que moradores e imprensa costumam registrar os episódios antes da documentação acadêmica.
Dados do levantamento sobre a costa brasileira entre 2010 e 2025.
- 51Encalhes analisadosEntre 2010 e 2025
- 40Registros na imprensa
- 11Registros científicos
- 42,8 mil toneladasBiomassa em SalinópolisMarço de 2025
- 4%Biomassa retiradaDo volume de 2025
Em março de 2025, Salinópolis recebeu aproximadamente 42,8 mil toneladas de sargaço, o maior volume de biomassa entre os eventos avaliados. Nos outros cinco episódios científicos com estimativa disponível, os volumes ficaram entre 174 e 1.843 toneladas.
| Registro | Quantidade |
|---|---|
| Total de encalhes analisados | 51 |
| Registros na imprensa | 40 |
| Registros científicos | 11 |
| Biomassa em Salinópolis, em março de 2025 | 42,8 mil toneladas |
Pará concentra registros
Dos 40 episódios localizados na imprensa, 18 ocorreram no Pará. O estado também concentrou oito dos 11 registros científicos, todos na Praia do Atalaia; Maranhão teve dois casos científicos e Pernambuco, um.
Segundo Leonardo Capeleto de Andrade, pesquisador de pós-doutorado da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo, a posição do litoral paraense ajuda a explicar o quadro. Correntes oceânicas e ventos levam as algas flutuantes para a costa, e Salinópolis está em uma área especialmente exposta.
O estudo alerta que trechos menos povoados do litoral norte, incluindo áreas do Amapá e manguezais, podem ter encalhes sem registro por falta de monitoramento ou cobertura jornalística.
Limpeza exige planejamento
Em Salinópolis, cerca de 4% da biomassa que chegou às praias em 2025 foi retirada, mesmo com reforço de caminhões do governo estadual e da estrutura municipal, informou Geison Mesquita, primeiro autor do estudo. Para ele, o episódio indica que municípios ainda não estão preparados para ocorrências desse porte.

A limpeza costuma ficar sob responsabilidade das prefeituras. Em unidades de conservação federais, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade pode participar, e a Defesa Civil pode ser acionada em situações mais graves.
O Brasil ainda não tem um protocolo nacional específico para grandes arribadas de sargaço, segundo os pesquisadores. A remoção também requer cuidado, pois máquinas podem levar areia junto com as algas e contribuir para a erosão das praias.
Identificação muda a resposta
Nem toda alga acumulada na areia é sargaço pelágico ligado ao Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico. Nos registros científicos, todos os casos foram confirmados como Sargassum natans ou Sargassum fluitans; entre as notícias, 65% tiveram essa classificação.
Pequenas quantidades de algas fazem parte do funcionamento natural da praia e podem servir de abrigo e alimento para animais. O problema ocorre quando há acúmulo e decomposição: além de afetar a água, o processo pode liberar sulfeto de hidrogênio e amônia. O sulfeto de hidrogênio está associado ao cheiro de ovo podre e, em concentrações altas após exposição prolongada, pode provocar irritação respiratória, dor de cabeça e náusea.
Com informações de g1.
Foto de capa: Hector.carvalho/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

