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Animais e Natureza

Estudo aponta impacto do sargaço na pesca e no turismo do Norte e Nordeste

Estudo reúne 51 encalhes de sargaço no Brasil e aponta efeitos sobre pesca, turismo e praias, com maior concentração no Pará.

Tiago da Silva CândidoPorTiago da Silva Cândido 3 min de leitura
Universidade de São Paulo
Foto: Hector.carvalho/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
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Levantamento reuniu 51 encalhes na costa brasileira entre 2010 e 2025 e aponta Salinópolis, no Pará, como área mais afetada.

Grandes volumes de sargaço pelágico têm chegado a praias do Norte e Nordeste do Brasil, com efeitos sobre a pesca, a vida marinha e o turismo, segundo estudo publicado em 2026. Ao se acumular e se decompor, o material pode reduzir o oxigênio da água, prejudicando peixes e outros organismos próximos à costa.

O levantamento analisou encalhes registrados entre 2010 e 2025 e identificou maior concentração no Pará, especialmente na Praia do Atalaia, em Salinópolis. As causas do fenômeno ainda são investigadas e envolvem fatores como circulação oceânica, ventos, nutrientes e condições que favorecem o crescimento das algas.

O tamanho dos encalhes registrados

Os pesquisadores reuniram 51 registros de encalhes na costa brasileira. Foram 40 casos identificados em reportagens e 11 em trabalhos científicos, o que, segundo o estudo, mostra que moradores e imprensa costumam registrar os episódios antes da documentação acadêmica.

InfográficoEncalhes de sargaço no Brasil

Dados do levantamento sobre a costa brasileira entre 2010 e 2025.

42,8 mil toneladas
Salinópolis em 2025Maior biomassa analisada
  • 51Encalhes analisadosEntre 2010 e 2025
  • 40Registros na imprensa
  • 11Registros científicos
  • 42,8 mil toneladasBiomassa em SalinópolisMarço de 2025
  • 4%Biomassa retiradaDo volume de 2025
Fonte: Estudo publicado em 2026Blog Viiish

Em março de 2025, Salinópolis recebeu aproximadamente 42,8 mil toneladas de sargaço, o maior volume de biomassa entre os eventos avaliados. Nos outros cinco episódios científicos com estimativa disponível, os volumes ficaram entre 174 e 1.843 toneladas.

RegistroQuantidade
Total de encalhes analisados51
Registros na imprensa40
Registros científicos11
Biomassa em Salinópolis, em março de 202542,8 mil toneladas

Pará concentra registros

Dos 40 episódios localizados na imprensa, 18 ocorreram no Pará. O estado também concentrou oito dos 11 registros científicos, todos na Praia do Atalaia; Maranhão teve dois casos científicos e Pernambuco, um.

Segundo Leonardo Capeleto de Andrade, pesquisador de pós-doutorado da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo, a posição do litoral paraense ajuda a explicar o quadro. Correntes oceânicas e ventos levam as algas flutuantes para a costa, e Salinópolis está em uma área especialmente exposta.

O estudo alerta que trechos menos povoados do litoral norte, incluindo áreas do Amapá e manguezais, podem ter encalhes sem registro por falta de monitoramento ou cobertura jornalística.

Limpeza exige planejamento

Em Salinópolis, cerca de 4% da biomassa que chegou às praias em 2025 foi retirada, mesmo com reforço de caminhões do governo estadual e da estrutura municipal, informou Geison Mesquita, primeiro autor do estudo. Para ele, o episódio indica que municípios ainda não estão preparados para ocorrências desse porte.

A retirada de sargaço exige cuidado para evitar a remoção de areia.
A retirada de sargaço exige cuidado para evitar a remoção de areia. — Foto: Lance Cpl. Lendus B. Casey/Wikimedia Commons (Public domain)

A limpeza costuma ficar sob responsabilidade das prefeituras. Em unidades de conservação federais, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade pode participar, e a Defesa Civil pode ser acionada em situações mais graves.

O Brasil ainda não tem um protocolo nacional específico para grandes arribadas de sargaço, segundo os pesquisadores. A remoção também requer cuidado, pois máquinas podem levar areia junto com as algas e contribuir para a erosão das praias.

Identificação muda a resposta

Nem toda alga acumulada na areia é sargaço pelágico ligado ao Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico. Nos registros científicos, todos os casos foram confirmados como Sargassum natans ou Sargassum fluitans; entre as notícias, 65% tiveram essa classificação.

Pequenas quantidades de algas fazem parte do funcionamento natural da praia e podem servir de abrigo e alimento para animais. O problema ocorre quando há acúmulo e decomposição: além de afetar a água, o processo pode liberar sulfeto de hidrogênio e amônia. O sulfeto de hidrogênio está associado ao cheiro de ovo podre e, em concentrações altas após exposição prolongada, pode provocar irritação respiratória, dor de cabeça e náusea.

Foto de capa: Hector.carvalho/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

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