Especialistas defendem atenção básica mais forte, rede regionalizada e integração digital para reduzir deslocamentos de pacientes.
O Rio Grande do Sul chega aos próximos anos com dois desafios ligados à saúde pública: o crescimento da população idosa e a concentração de médicos e serviços em poucos centros. O estado reúne 2,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, contingente que praticamente dobrou em pouco mais de duas décadas, segundo dados apresentados pela reportagem.
A população gaúcha também vive mais. A expectativa de vida passou de 72,8 para 77 anos no período, chegando a 80,1 anos entre as mulheres. Para especialistas ouvidos pelo g1, a rede precisa se organizar para atender por mais tempo uma população que demanda acompanhamento, prevenção e preservação da autonomia.
Médicos se concentram na capital
O estado tem 3,45 médicos por mil habitantes, índice superior à média brasileira, de 3,08. A distribuição, porém, é desigual: Porto Alegre registra 11,81 profissionais por mil habitantes, enquanto o interior tem 2,27.
Dados citados na reportagem mostram envelhecimento e desigualdade regional.
- 2,2 milhõesIdosos no estadoPessoas com 60 anos ou mais
- 77 anosExpectativa de vidaNo período citado
- 3,45 por mil habitantesMédicos no RSAcima da média nacional
- 11,81 por mil habitantesMédicos em Porto AlegreÍndice da capital
- 2,27 por mil habitantesMédicos no interiorÍndice fora da capital
- Mais de 600 mil solicitaçõesEspera por especialistasAguardam atendimento
O vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), Eduardo Neubarth Trindade, avalia que ampliar a formação não resolve isoladamente o problema. Estrutura hospitalar, laboratórios, equipamentos e equipes completas influenciam a decisão de profissionais de permanecerem fora dos grandes centros.
A desigualdade aparece também no acesso a especialistas. Há mais de 600 mil solicitações à espera desse tipo de atendimento, e pacientes de cidades menores podem ter de viajar longas distâncias para consultas e tratamentos.
Rede regional e atenção básica
A Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs) defende que os serviços sejam organizados conforme as necessidades de cada região. A proposta não prevê instalar todos os atendimentos em cada município, mas formar redes capazes de absorver parte da procura mais perto da residência dos pacientes.

Em Santa Vitória do Palmar, por exemplo, pessoas que precisavam de diálise percorriam cerca de 200 quilômetros até Pelotas. A instalação de uma unidade no município reduziu esse deslocamento, de acordo com o exemplo citado pela entidade.
Outra medida apontada é ampliar a atuação da atenção básica. A professora Deise Lisboa Riquinho, da UFRGS, defende equipes com diferentes áreas profissionais, incluindo psicologia e educação física, para combinar tratamento, prevenção e acompanhamento contínuo.
Tecnologia pode conectar serviços
Entre as propostas da Amrigs está a criação de um sistema digital com prontuário único e interoperável. A ferramenta permitiria que dados do paciente fossem consultados em diferentes unidades de saúde.
Telemedicina e interconsultas também são citadas como recursos para aproximar especialistas de regiões com escassez de determinadas áreas médicas. Os especialistas ressaltam, porém, que essas soluções não eliminam a necessidade de serviços locais estruturados.
O que está em debate
As alternativas apresentadas para o sistema de saúde gaúcho envolvem:
- regionalizar a oferta de serviços;
- reforçar o atendimento básico e as equipes multiprofissionais;
- criar condições para fixar médicos fora dos grandes centros;
- integrar informações de pacientes e serviços por tecnologia.
O professor Luis Henrique Telles da Rosa, da UFCSPA, também destacou ao g1 a relevância do convívio social para a saúde física e mental das pessoas idosas.
Com informações de g1.
Foto de capa: TimBray/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

