Alma-de-mestre vive em alto-mar; segundo veterinária, aves resgatadas chegam debilitadas após tempestades.
A alma-de-mestre, ave marinha raramente vista em praias, teve quatro registros em 2026 no litoral norte de Santa Catarina. A espécie vive sobretudo em mar aberto, e sua chegada à costa costuma estar associada a temporais no oceano.
Segundo o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), as ocorrências foram registradas em uma região onde encontros com a ave são incomuns. A médica-veterinária Giulia G. Lemos afirma que os indivíduos resgatados chegam debilitados após enfrentar tempestades severas.
Registros no litoral norte
Desde 2015, o PMP-BS contabilizou 11 indivíduos da espécie em praias como as de Itapoá, São Francisco do Sul e Balneário Barra do Sul. Desse total, quatro foram registrados em 2026.
| Período | Indivíduos registrados |
|---|---|
| Desde 2015 | 11 |
| Em 2026 | 4 |
A alma-de-mestre, cujo nome científico é Oceanites oceanicus, é migratória e passa quase toda a vida longe da terra firme. A ave tem cerca de 42 centímetros de envergadura e consegue planar rente às ondas.
Estado das aves encontradas
De acordo com Giulia G. Lemos, as aves resgatadas apresentam hipotermia, desidratação e baixo peso, quadro descrito como síndrome migratória. Entre os indivíduos encontrados com vida no trecho monitorado, nenhum resistiu.
A equipe técnica também identificou fragmentos de plástico rígido no estômago de uma das aves examinadas. A espécie procura alimento na superfície da água e pode ingerir resíduos que flutuam no mar.
O que os registros mostram
As ocorrências ajudam pesquisadores a estudar as rotas migratórias da espécie, os efeitos de eventos climáticos no oceano e as condições da fauna marinha. Os dados do PMP-BS, executado pela Petrobras como exigência do licenciamento ambiental do Ibama, são disponibilizados no Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática (Simba).
O nome popular da ave vem de antigas histórias de marinheiros. Nessas narrativas, seu chamado em alto-mar era associado às almas de capitães e mestres de navios mortos em naufrágios.
Com informações de ndmais.com.br.
Foto de capa: Prefeitura de Itapoá/Wikimedia Commons (CC0)

